Decorrente do meu trabalho, tenho feito vistorias em casas geriátricas. Confesso que tenho me tocado muito com isso. Ver que no final da vida algumas pessoas são depositadas pelas famílias em locais nem sempre adequados as suas necessidades, sem falar na sensação de abandono que os deve acometer ao saberem que estão lá pois algumas famílias simplesmente não os querem. Evidentemente que existem locais bastante adequados e com estrutura para dar a assistência necessária às dificuldades enfrentadas nessa fase da vida, mas existem locais que não o possuem. Na verdade, o que mais me toca é a fisionomia daquelas pessoas que, muitas vezes, me parece que se sentem felizes por ver que alguém está lá dando algum tipo de atenção à eles, nem que seja para averiguar as condições sanitárias do local. Me tocou alguns relatos por parte dos trabalhadores das casas que diziam que muitas famílias simplesmente relegam a responsabilidade e vêem aquelas pessoas como um incômodo, vendem os seus pertences, não os visitam, enfim, abandonam-os completamente. Infelizmente muitos se esquecem que todos envelhecemos. Verificar as dificuldades físicas de muitos deles, os quais necessitam de ajuda para tudo e pensar o como eu me sentiria se estivesse no lugar deles, sem poder tomar banho sozinha e nem ir ao banheiro, ficando exposta na intimidade à terceiros, deve ser muito difícil lidar com essas perdas de autonomia.
De fato, a maioria das pessoas não está preparada para envelhecer e, muito menos, para lidar com o envelhecimento dos que os cercam. Nós como cidadãos e como futuros profissionais da saúde devemos refletir sobre isso e rever como iremos agir diante dessas questões.
